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Palhaçaria feminina com Nariz de Cogumelo

Aldeia Fulnio-ô, Pernambuco, Brasil. Projeto Nossas Aldeia | Foto: Rafael Martins

Lá pelo início de 2008, nascia em Salvador um grupo tentado a se aventurar na arte de rua. Formado por quatro palhaças e dois músicos, o Nariz de Cogumelo desenvolvia números tradicionais de palhaço e circo e logo foi conquistando o carinho do público. Com o tempo de experiência, os seis artistas passaram a criar releituras de cenas clássicas e números próprios e hoje, eles tem a bagagem de quatro espetáculos para rua e três para cabarés.

A história do Nariz de Cogumelo junto com algumas criações próprias serão apresentadas no Cine Teatro Solar Boa Vista, em Salvador, no próximo sábado, para os participantes do curso. O grupo, pioneiro na palhaçaria feminina, é composto pelas palhaças Floricota Polanski (Laili Flórez), Furabolo Tobogã (Larissa Uerba), Calçolina Sexta-feira 13 (Luiza Bocca) e Fuscalina Cabeleira (Viviane Abreu); e pelos músicos Pedro Vieira e Diogo Flórez.

Confira a entrevista feita com Larissa Uerba para o nosso site:

Aldeia Fulnio-ô, Pernambuco. Projeto Nossas Aldeia | Foto: Rafael Martins

Como vai ser a imersão?  

O Nariz de Cogumelo levará algumas cenas do espetáculo É das palhaças que eles gostam mais (uma criação do grupo e de Alexandre Luis Casali, de 2009), que é o mais antigo e mais visto espetáculo do Nariz, e simboliza também a pesquisa do grupo na palhaçaria feminina e na arte de rua. Também há interação com a plateia. Após a apresentação faremos um bate-papo para contar mais sobre o trabalho do Nariz de Cogumelo, que em 2017 completa 11 anos.

Qual a maior diferença em apresentar seu trabalho em um ambiente educativo como vai ser no curso?

Para nós é muito importante participar de um projeto que fomenta o aprendizado cultural em nossa cidade/estado e que realiza uma troca extremamente importante, ao alimentar o conhecimento mútuo entre o desenvolvimento técnico dos agentes em formação com o fazer artístico.

Como um grupo pioneiro na palhaçaria feminina em Salvador, o que vocês enfrentaram e/ou enfrentam de dificuldades nesse meio?

Na verdade, existem outras referências mais antigas de palhaçaria feminina na cidade de Salvador, como a mestra Felícia de Castro, que desenvolve um trabalho belíssimo sobre o sagrado feminino e a palhaçaria feminina. O Nariz torna-se uma referência por ser um grupo de palhaças mulheres e por ter a maioria de seus espetáculos formados com um elenco totalmente feminino. Além de desenvolver esse trabalho em Cabarés, com outras artistas da cidade e ao propor oficinas de comicidade feminina para explorar justamente as referências dramatúrgicas, cênicas e processuais que antigamente era poucas (ou quase não existiam) no meio da palhaçaria ou que eram estereotipadas ou ocupadas apenas por homens.

Para você, o que é ser um agente cultural?

Para nós um agente cultural promove o desenvolvimento e a manutenção cultural do espaço em que vive, ou mesmo fora dele. Um agente é o responsável por conhecer a identidade de sua cidade, suas diversidades, suas potencialidades e como compartilhá-las e mantê-las vivas, com técnica e sentimento.

Toda a trajetória de cada componente do grupo está estritamente ligada à cultura. O que mais mudou para vocês no cenário cultural baiano ao longo dessa trajetória artística?

Na verdade, nem todos do grupo tiveram formação na parte artística, mas com o tempo todos acabaram ligando-se (ou priorizando) a essa área de alguma forma. Ao longo da existência do Nariz percebemos que as políticas públicas foram um dos fatores, através de projetos, editais, fomentos, leis etc, que deram mais oportunidades de realizações e do desenvolvimento de trabalhos na área da cultura, sejam para artistas da capital ou do interior. Todavia, é válido ressaltar que na área atuante do grupo, o circo, principalmente pensando nos artistas de interior, ainda são muito pouco aqueles que são valorizados e reconhecidos.

Qual a importância de um programa como esse, de formação de agentes culturais para a popularização e difusão da cultura, principalmente porque é gratuito e aberto a todos?

Pensar em ações como essa, com acesso democrático e gratuito, é tornar possível a compreensão de que a cultura tem um papel essencial dentro da nossa sociedade e em nossas construções pessoais. Disseminar esse conhecimento e torná-lo prático, afim de que mais profissionais estejam aptos a atuar nessa área, torna-se imprescindível para uma evolução dessa área, para que novos caminhos e ideias surjam e novos mercados sejam possíveis.

 

Conheça mais sobre o Nariz de Cogumelo no site do grupo.

 

 

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